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Mostrando postagens de Janeiro, 2015

Projeto Poesia às segundas-feiras

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BRECHT, Bertolt; SOUZA, Paulo César de (organizador e tradutor). Do pobre BB. IN: Poemas (1913-1956). São Paulo, editora 34, p.53

1.
Eu, Bertolt Brecht, venho da floresta negra.
Para a cidade minha mãe me carregou
Quando ainda vivia no seu ventre. O frio da floresta
Estará em mim até o dia em que eu me for.

2.
Na cidade de asfalto estou em casa. Recebi
Desde o início todos os sacramentos finais:
Jornais, muito fumo e aguardente. Desconfiado
Preguiçoso e contente - não posso querer mais!

3.
Sou amável com as pessoas. Uso
Um chapeu cartola segundo seu costume.
Digo: são animais de cheiro bem peculiar
E digo: Não faz mal, também tenho esse perfume.

4. 
Pelas manhãs, em minha cadeira de balanço
De vez em quando uma mulher faço sentar
E observando-a calmamente lhe digo:
Em mim você tem alguém em quem não pode confiar.

5. 
À noite, alguns homens se reúnem a minha volta
E entre nós, "gentlemen" é o tratamento vigente.
Colocam os pés sobre a minha mesa
Dizem: As coisas vão melhorar. E eu não pergunto: Realm…

Projeto Poesia às segundas-feiras

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ANDRADE, Carlos Drummond de. Um passarinho em toda parte. IN: As impurezas do branco: poesia. 7a.ed. Rio de Janeiro, Record, 1998. p.122

Bem te vi, bem-te-vi
bem te ouvi recitando
e repetindo nítido
teu bentibentivismo.
Bem te vi lá na roça
nas árvores, nas águas,
bem te vi na cidade
que prolongava a roça,
bem te vi no Jardim
da República sobre
o cupim das cutias
estátuas no gramado,
bem te vi na Argentina,
quando o chána planícíe
chamava a revoada
de borboletas trêmulas
sobre o azul da piscina,
bem te vi, bem te vejo
na vasta galeria
de bichos e de coisas
irmãos de nossa vida
a esvoaçar na voz
dos mais velhos que ensinam
o almanaque da terra,
bem te vi, bem te vejo
presente entre as ausências
que me vão rodeando
e quando bem te avisto
e te ouço, eis que me assisto
devolvido ao primeiro
bem-ver ouvir do prístino
bem-te-vi bentivisto.

BIBLIOTECA INDICA: JORNALISMO E LITERATURA

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Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade. George Orwell

WODDWARD, Bob; BERNSTEIN, Carl. Todos os homens do Presidente. Localização física: F B449t Este livro reconstitui a investigação feita pelos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein do caso Watergate, escândalo político que levou o presidente Richard Nixon à renúncia há exatos 40 anos. Em linguagem eletrizante e cinematográfica, os dois repórteres contam como ajudaram a revelar uma poderosa rede de espionagem e sabotagem montada dentro da Casa Branca contra políticos do Partido Democrata. "Todos os Homens do Presidente” é considerado um clássico do jornalismo e um marco histórico da liberdade de imprensa.

CONTI, Mario Sérgio. Notícias do Planalto. Localização física: 070 C779n
Um livro sobre os poderes e limites da grande imprensa. Num relato pioneiro, Mario Sergio Conti mostra - por dentro - o que é a grande imprensa, como ela age, como são tomadas as decisões nas redações, como …

"Um país se faz com homens e livros"

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LOBATO, José Bento Monteiro. Um país se faz com homens e livros IN: AMERICA. 5a.edição, São Paulo, Brasiliense, 1951. p.45 (Obras completas de Monteiro Lobato, v.8)

Capítulo 6: Homens e livros. Reminiscencias duma palestra no Corcovado. As pontas dos fios. A riqueza da biblioteca do Congresso. Hercules e Onfale. Como se formam palavras

          Um país se faz com homens e livros. Minha vista aos monumentos de George Washington e Lincoln provou-me que a America tinha homens. Ter homens, para um país, é ter Washingtons e Lincolns, forças tão marcantes que sobre sua obra não pode a morte. Viva enquanto viver a America, seus dois herois viverão com ela, dia a dia mais sublimados. Já nem mais são homens hoje, decenios passados do desaparecimento da cena, mais semi-deuses. Crescem sempre. Divinizam-se. Em torno destas pilastras a America se cristalizou. Nas maiores crises morais nunca lhe faltará o apoio do general que não mentia e do lenhador que impediu a destruição da obra do general.

(...…

Projeto Poesia às segundas-feiras

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MURRAY, Roseana; Galvão (ilustração). Tantos medos e outras coragens. São Paulo, FTD, 2007. 32p. (Segundas histórias)

Muitos medos a gente tem
e outros a gente não tem.
Os medos são como olhos de gato
brilhando no escuro.

Há, por exemplo, o medo de escuro
e tudo o que o escuro tem:
lobo mau, floresta virgem, alma
do outro mundo, portas fechadas,
cavernas, porões, ai que pavor!

O escuro tem mãos de veludo
que fazem o coração rolar
pela escada,
pela rua,
pela noite afora
como um cavalo sem freio.

E tem o medo de bicho
rato, cobra, barata,
morcego, aranha e lagartixa.
Tem gente que dá chilique,
grita, se arrepia, se arrebita,
e tem gente que nem liga,
pega o chinelo
e já vai esmigalhando,
ou simplesmente,
de um jeito mui digno,
passa por cima.

E tem o medo de conhecer
outras pessoas
medo de ir à festa,
medo de dançar errado,
o medo terrível de qualquer primeiro dia.

E tem o medo de mudar
de casa,
de mudar de rua,
de cidade, de país.

Mas tem gente que adora ir
e dançar e conhecer amigo novo.
Tem gente que adora se mudar,
que a…

Projeto Poesia às segundas-feiras

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MURALHA, Sidônio; Fê (ilustração). Todas as crianças da terra. São Paulo, Global, 2004. 16p.

Um capacete de guerra tem um ar carrancudo,
Muito mais bela é uma flor.
Um flor tem tudo
para falar de paz e de amor.

Mas se virarmos o capacete de guerra
ele será um vaso, e é bem capaz
de ter uma flor num pouco de terra
e falar de amor e de paz.

A paz é um pomba que voa.
É um casal de namorados.
São os pardais de Lisboa
que fazem ninho nos telhados.

E é o riacho de mansinho
que saltita nas pedras morenas
e toda a calma do caminho
com árvores altas e serenas.

A paz é o livro que ensina
É uma vela em alto mar
e é o cabelo da menina
que o vento conseguiu soltar.

E é o trabalho, o pão, a mesa,
A seara de trigo, ou de milho,
e perto da lâmpada acesa
a mãe que embala o filho.

A paz é quando um canhão
muito feio e de poucas falas,
sente bater um coração
e dispara cravos, em vez de balas.

E é o abraço que dás
no dia em que tu partires,
e as gotas de chuva da paz
no balanço do arco-íris.

A paz é a família inteira
na alegria do lar,
be…