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Mostrando postagens com o rótulo 8 Linguagem. Linguística. Literatura

Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. O escravo. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José 
Olympio, 2001. p.85

Detrás da flor me subjugam, atam-se os pés e as mãos. E um pássaro vem cantar para que eu me negue.
Mas eu sei que a única haste do tempo é o sulco do riso na terra - a boca espedaçada que continua falando.

Obras do Nobel de Literatura nas Bibliotecas de Guarulhos

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Fonte: http://revistagalileu.globo.com/

Apesar de ser considerado um dos autores vivos de língua inglesa mais importante, o nipo-britânico Kazuo Ishiguro não era favorito ao Prêmio Nobel de Literatura. Mas,assim como Bob Dylan que foi premiado em 2016, Ishiguro surpreendeu: acabou levando o prêmio de 2017 e as 9 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 3,5 milhões).
Segundo a Academia Sueca, responsável pelo Nobel, Ishiguro recebeu a honraria porque "em seus romances de grande força emocional, revelou o abismo sob nossa sensação ilusória de conexão com o mundo". Citando Marcel Proust, a secretária-permanente da Academia Sueca, Sara Danius, afirmou: "Ele é um pouco como uma mistura deJane Austen, comédia de costumes e Franz Kafka. Se você misturar isso um pouco, não muito, você tem a essência de Ishiguro". Para você conhecer mais sobre Ishiguro faça uma visita a algumas de nossas bibliotecas. Dá uma olhada onde você poderá encontrar suas obras: O Gigante Enterrado  - Biblio…

Biblioteca Indica: Consciência Negra

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Racismo é produto da mediocridade intelectual. 


FREIRE, Marcelino. Contos negreiros. Localização: C F934c O autor escreve como quem pisa no massapé, chão de barro negro, como a fala preta amassada entre os dentes, no terreiro da sintaxe, dos diminutivos dobrados nas voltas da língua.

Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. Manhã de novembro. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.469

Meu gato siamês
                         (de veludo                          e garras,                          cheio de sons)
deita-se ao sol                        (da morte,                        sabemos nós)


displicentes

e eterno.

Livros mais emprestados em Outubro

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Querendo ou não gostamos de saber quem se destaca, quem são os melhores, quem são os recordistas, seja no esporte, ou em qualquer outra área. Então, para amenizar ou aguçar nossa curiosidade preparamos a lista dos top 10 entre os livros mais emprestado em Outubro. Confira:
Ficção (Obras do Vestibular Fuvest e Unicamp)
01 - Sagarana / Rosa, João Guimarães 02 - Minha Vida de Menina / Morley, Helena 03 - Mayombe / Pepetela 04 - Memórias Póstumas de Brás Cubas / Assis, Machado 05 - O Cortiço / Azevedo, Aluísio  06 - Vidas Secas / Ramos, Graciliano 07 - Iracema / Alencar, José de 08 - Nova Reunião: Claro Enigma / Andrade, Carlos Drummond de 09 - Terra Sonâmbula / Couto, Mia 10 - Coração, Cabeça e Estômago / Castelo Branco, Camilo
Ficção (Aventura, Suspense, Comédia, Drama, Romance...)
01 - Dom Casmurro / Assis, Machado 02 - O Senhor dos Anéis (A Sociedade do Anel) / Tolkien. J.R.R 03 - A Guerra dos Tronos / Martin, George R. 04 - A Cabana / Young, Wiilian 05 - Inferno / Brown, Dan      06 - O Hobbit / Tolki…

Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. Perda. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.358

A Mário Pedrosa
Foi no dia seguinte. Na janela pensei: Mário não existe mais. Com seu sorriso o olhar afetuoso a utopia                                        entranhada na carne                                        enterraram-no e com sua brancas mãos de jovem de 82 anos.


Penso - e vejo acima dos edifícios mais ou menos à altura do Leme uma gaivota que voa na manhã radiante e lembro de um verso de Burnett: "no acrobático                                                        milagre do vôo".
E Mário? A gaivota voa fora da morte:                       e dizer que voa é pouco:                                          ela faz o vôo                                          com asa e brisa                                          o realiza                       num  mundo onde ele já não está                        para sempre.
E penso: quantas manhãs virão ainda na história da Terra? É perda demai…

Biblioteca Indica: A arte de contar histórias

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“Se quiser falar ao coração dos homens, há que se contar uma história. Dessas onde não faltem animais e muita fantasia. Porque é assim, suave e docemente que se despertam consciências.” Jean de La Fontaine

CARTER, Angela. 103 contos de fadas.
Localização física: C C298c O livro reúne pela primeira vez todas as histórias organizadas por Carter, formando um verdadeiro e extenso painel do folclore mundial e das tradições narrativas dos mais variados povos, do Ártico à Ásia. Mas apesar do nome, há poucas fadas nessas páginas, e o leitor também terá dificuldades em encontrar príncipes encantados e similares. Escritas em uma época em que esse tipo de história não era destinado a crianças, as fábulas aqui contidas dão lugar a uma série de tias malévolas, esposas traiçoeiras, irmãs excêntricas e perigosas feiticeiras. Por terem sido registrados em papel pela primeira vez nos últimos duzentos ou trezentos anos, os contos oferecem — correndo por detrás da trama — um retrato do dia-a-dia no mundo pr…

Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. Visita. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.441




no dia de
finados ele foi
ao cemitério
porque era o único
lugar do mundo onde
podia estar 
perto do filho mas
diante daquele
bloco  negro
de pedra
impenetrável
entendeu
que nunca mais
poderia alcançá-lo

Então
apanhou do chão um
pedaço amarrotado
de papel escreveu
eu te amo filho
pôs em cima do
mármore sob uma
flor
e saiu soluçando



Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. Oswald morto. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.73

Enterraram ontem em São Paulo
um anjo antropófago
de asas de folha de bananeira
(mais um nome que se mistura à nossa vegetação tropical)

As escolas e as usinas paulistas
não se detiverem
para olhar o corpo do poeta que anunciara a civilização do ócio
Quanto  mais pressa  mais vagar

O lenço em que pela última vez
assoou o nariz
era uma bandeira nacional

NOTA:
Fez sol o dia inteiro em Ipanema
Oswald de Andrade ajudou o crespúsculo
hoje domingo 24 de outubro de 1954

Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. O lampejo. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.356

O poema não voa de asa-delta
não mora na Barra
não frequenta o Maksoud.
Pra falar a verdade, o poema não voa:
anda a pé
e acaba de ser expulso da fazenda Utupu
                                           pela polícia.

Como mal dorme mal cheira a suor,
parece demais com o povo:
                                            é assaltante?
                                            é posseiro?
                                            é vagabundo?
frequentemente o detêm para averiguações
          às vezes o espancam
          às vezes o matam
          às vezes o resgatam
          da merda
                         por um dia
e o fazem sorrir diante das câmeras da TV
de banho tomado.

O poema se vende
                se corrompe
confia no governo
desconfia
de repente se zanga
e quebra trezentos ônibus nas ruas de Salvador.

O poema é confuso
mas tem o rosto da história brasileira:
               tisnado de sol
   …

Grupo tenta refazer biblioteca após Estado Islâmico deixar Mossul

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Fonte: http://www.gazetaonline.com.br/noticias/mundo/2017/07/grupo-tenta-refazer-biblioteca-apos-estado-islamico-deixar-mossul-1014082755.html

Prédio virou quartel-general do EI e teve milhares de livros destruídos. Com retomada, historiador anônimo reúne voluntários para preservar obras que sobreviveram a 19 meses de ocupaçãoUm historiador iraquiano está tentando reconectar a cidade de Mossul com o resto do mundo com o resgate de livros e a reconstrução de uma biblioteca. Depois de dois anos e meio sob o domínio do Estado Islâmico (EI) e nove meses de batalha intensa entre os terroristas e o exército do Iraque, a cidade iraquiana ficou destruída e mais de 900 mil habitantes fugiram de suas casas. 
Com a vitória do governo iraquiano, decretada em 9 de julho, os sobreviventes agora começam a reconstruir uma cidade devastada. E a Biblioteca Central da Universidade de Mossul virou um dos símbolos do desafio. "Eu vou trabalhar neste projeto até que eu sinta que a biblioteca voltou a se…

Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. Fim. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.445

Como não havia ninguém
na casa aquela
terça-feira tudo
é suposição: teria
tomado seu costumeiro
banho
de imersão por volta
de meio-dia e trinta e
de cabelos ainda
úmidos
deitou-se na cama para
descansar não 
para morrer
        queria

dormir um pouco
apenas isso e 
assim não lhe
terá passado pela
mente - até 
aquele último segundo
antes de
se apagar no
silêncio -- que
jamais voltaria
ao ruidoso mundo
da vida

6 inesquecíveis poemas de Manoel de Barros

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Fonte: http://www.portalraizes.com/1inesqueciveis-poemas-de-manoel-de-barros/ Retrato do artista quando coisa A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas. Tratado geral das grandezas do ínfimo A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei. Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogio Os deslimites da palavra Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidade…