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Mostrando postagens com o rótulo 8 Linguagem. Linguística. Literatura

Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. Traduzir-se. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.335


Uma parte de  mim
é todo mundo: outra parte é ninguém fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão: outra parte estranheza e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera: outra parte delira.

Uma parte de mim
almoça e janta: outra parte se espanta.

Uma parte de mim
é só vertigem: outra parte, linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte -- que é uma questão    de vida e morte --    será arte?


A importância da leitura obrigatória da FUVEST.

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Fonte: http://www.editorarideel.com.br/a-importancia-da-leitura-obrigatoria-da-fuvest/
Todos os anos, a Fuvest divulga uma lista de obras que devem ser lidas por seus candidatos antes do vestibular. Ao relacionar os livros com meses de antecedência, espera-se oferecer aos vestibulandos tempo suficiente para que eles não deixem de conhecer os escolhidos e, assim, preparem-se da melhor forma possível para as questões relacionadas à literatura. Os livros sugeridos costumam ser populares entre os jovens e, muitas vezes, já foram lidos pelos candidatos durante o ensino fundamental ou nos cursinhos preparatórios. Geralmente, são obras com grande valor histórico na construção da literatura mundial, o que faz delas objetos de interesse dos candidatos não somente por conta da prova. Especialistas apontam as questões de literatura da Fuvest como algumas das mais difíceis da prova. Hoje em dia, as perguntas não tratam das obras de forma isolada, mas, sim, relacionando-as com o contexto social e…

Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. Fotografia de Mallarmé. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.438

é uma foto
premeditada 
como um crime

         basta
reparar no arranjo
das roupas os cabelos
a barba tudo
adrede preparado
-- um gesto e a manta
equilibrada sobre
os ombros
caíra -- e
especialmente a mão
com a caneta
detida acima da
folha em branco: tudo
à espera
da eternidade

         sabe-se
após o clique
a cena se desfez na
rua de Rome a vira voltou
a fluir imperfeita
mas
isso a foto não
captou que a foto
é a pose a suspensão
do tempo
     agora
     meras manchas
     no papel raso
mais eis que
teu olhar
encontra o dele
(Mallarmé) que
ali
do fundo
da morte

olha







O que acontece com seu corpo enquanto você lê.

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Dos primeiros 10 minutos até anos de leitura – tudo o que acontece com sua mente ao devorar livros e mais livros
A leitura é uma experiência imersiva que confere um novo fôlego para seu cérebro. Ele é responsável por gerar imagens e ideias enquanto você passeia por um blog literário ou mergulha na leitura do seu recém-adquirido romance. Seu cérebro faz novas conexões, estabelece diferentes padrões – uma realidade virtual ao seu alcance. Os Primeiros 10 minutosO processo é iniciado. Seus olhos passeiam pelas letras, acostumam-se com a tipografia, a cor do papel, a disposição das palavras. Até mesmo seu olfato é estimulado (neste caso, se estiver lendo um livro impresso). Lentamente, você começa a ser transportado para outra realidade. Começam os efeitos intelectuais. Seu cérebro lida com estrutura narrativa, já tentando reconhecer a “voz” do autor. Seu cérebro se posiciona no contexto terminológico. Oferece alguma resistência às novas ideias. Tenta te avisar que aquilo que está lendo é fic…

Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. Redundâncias. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.448

Ter medo da morte
é coisa dos vivos
o morto está livre
de tudo o que é vida

Ter apego ao mundo
é coisa dos vivos
para o morto não há
(não houve)
raios rios risos

E ninguém vive a morte
quer morto quer vivo
mera noção que existe
só enquanto existo


Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. Meu povo, meu abismo. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.377

Meu povo é meu abismo.
Nele me perco:
a sua tanta dor me deixa
surdo e cego.

Meu povo é meu castigo
meu flagelo:
seu desamparo,
meu erro.

Meu povo é meu destino
meu futuro:
se ele não vira em mim
veneno ou canto --
                               apenas morro.



Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. Bicho urbano. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.327

Se disser que prefiro morar em Pirapemas
        ou em outra qualquer pequena cidade
        do país 
        estou mentindo
ainda que lá se possa de manhã
lavar o rosto no orvalho
e o pão preserve aquele branco
sabor de alvorada

Não não quero viver em Pirapemas
Já me perdi
Como tantos outros brasileiros
me perdi, necessito
deste rebuliço de gente pelas ruas
e meu coração queima gasolina (da
comum)
              como qualquer outro motor urbano

A natureza me assusta.
Com seus matos sombrios suas águas
suas aves que são como aparições
me assusta quase tanto quanto
este abismo
                    de gases e de estrelas
aberto sob minha cabeça.





Biblioteca Indica: livros para aquecer seu inverno

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Inverno, Primavera, poeta é quem se considera...” MARTIN, George R.R. A guerra dos tronos.
Localização física: F M334g Em A guerra dos tronos, o primeiro livro da aclamada série As crônicas de gelo e fogo, George R. R. Martin - considerado o Tolkien americano - cria uma verdadeira obra de arte, trazendo o melhor que o gênero pode oferecer. Uma história de lordes e damas, soldados e mercenários e bastardos, que se juntam em um tempo de presságios malignos.

Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. Glauber morto. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.351

O morto não está de sobrecasaca
não está de casaca
não está de gravata.

O morto está morto

não está barbeado
não está penteado
não tem flor na lapela
um flor 
na calça
sapatos de verniz

não finge de vivo
não vai tomar posse 
na Academia.

O morto está morto
em cima da cama
no quarto vazio.

Como já não come
como já não morre
enfermeiras e médicos
não se ocupam mais dele.

Cruzaram-lhe as mãos
ataram-lhe os pés.

Só falta embrulhá-lo
e jogá-lo fora.



Por que ler os clássicos?

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Texto adaptado do site: http://guiadoestudante.abril.com.br/blog/estante/por-que-ler-os-classicos/Afinal, por que ler os clássicos? Por que gostar deles? Aposto que muita gente já se perguntou isso quando estava lendo A cidade e as serras. Mas aprender a apreciá-los é mais fácil do que você imagina. Como eu já contei nesse post aqui, gostar de ler é um treino; já gostar de ler os clássicos é um treino duplo. A linguagem mais complicada pode ser uma barreira, no início, mas com o tempo você vai pegando o jeito e aprendendo a ignorar as expressões muito antiquadas. Garanto que um pouco de insistência nessas obras podem mudar sua vida! 😀
Veja alguns motivos para se apaixonar pelos clássicos: São universais e atemporais O que será que você tem a ver com o enredo de Crime e castigo, de Dostoiévski? Ou com Dom Casmurro, de Machado de Assis? Muito pouco, alguns diriam. Mas eu diria que você tem tudo a ver com esses personagens. A magia do clássico é que ele consegue descrever com muita preci…

Agosto é mês de grandes escritores nacionais

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Fonte :https://academiapopulardeletras.wordpress.com/2015/08/24/agosto-e-mes-de-grandes-escritores-nacionais/
Agosto é um grande mês para a literatura. É um mês que marca o nascimento de vários autores importantes nacionais e estrangeiros. Destacamos aqui quatro escritores brasileiros, que merecem ser lidos, relidos e descobertos por quem ainda não os leu. 
Confira:
10/08/1912 – JORGE AMADO Nasceu na Bahia e mudou-se, em 1930, para o Rio de Janeiro. Aos 19 anos publicou seu primeiro livro, O País do Carnaval (1931). Entre suas importantes obras estão Mar Morto, Capitães de Areia, O Mundo da Paz, Tocaia Grande e Grabriela, Cravo e Canela. É um escritor da segunda geração modernista. 20/08/1889 – CORA CORALINA Nasceu na Cidade de Goiás (GO), batizada de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Apesar da pouca escolaridade, aos 14 anos começa a publicar contos e poemas em periódicos da cidade sob o pseudônimo Cora Coralina. Poeta e contista, autora de obras como Poemas dos Becos de Goiás e Estór…

Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. Internação. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.442

Ele entrara em surto
e o pai o levava de
carro para
a clínica
ali no Humaitá numa
tarde atravessada
de brisas
e falou
           (depois de meses 
trancado no
fundo escuro de
sua alma)
           pai,
o vento no rosto
é sonho, sabia?

Livros que te farão repensar o mundo tal e como você o conhece

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