A linguagem da internet

Abreviações e o uso escrito de palavras que mais se aproximam com a fala já faz parte da realidade dos internautas brasileiros.

Por Caroline Svitras | Fotos: Shutterstock

Ano passado, conforme a 11ª edição do TIC Domicílios, foi registrado que 58% da população brasileira tinha acesso à Internet em 2016, percentual correspondente a 102 milhões de internautas. Desse total, o número de usuários ativos por mês nas redes sociais atingiu a casa dos 92 milhões na metade do mesmo ano, segundo a pesquisa realizada pela agência eMarketer. 
Esses dados revelam que as redes sociais como FacebookInstagram e Twitter já fazem parte do dia a dia do nosso país, que passa, em média, 9 horas por dia conectado à Internet , conforme a pesquisa divulgada pelo We Are Social. Essa imersão no mundo virtual traz uma série de alterações no comportamento dos internautas, que precisam se adequar à linguagem e aos modismos de cada rede. 
Com frases cheias de abreviações e palavras escritas erradas de propósito, o idioma adotado na Internet foi e ainda é alvo de preconceito por parte de professores, linguistas e até mesmo das pessoas mais velhas, que nem sempre acompanham ou entendem os hábitos adotados pelo mundo online. Vera Lúcia Longo, coordenadora e professora de Língua Portuguesa do Colégio Marista Arquidiocesano, nos contou que “o desenvolvimento e a utilização da Internet acabaram produzindo, entre seus usuários, uma linguagem própria, carregada de termos típicos”.
Segundo o professor e coordenador do colégio Eniac, Caio Fernando de Oliveira, as redes sociais “nada mais são do que mais uma dessas situações a que a Língua teve que se adaptar e, é fato, se adaptou”. Ele explica os maus olhares lançados sobre a linguagem da Internet com uma comparação ao vocabulário adotado por Oswald de Andrade ou Manuel Bandeira em suas poesias, que na época foram hostilizados por abrigarem um linguajar “coloquial demais”. Segundo ele, “é da natureza humana temer mudanças e novidades”. 
O coordenador do curso de Letras e Pedagogia da Anhanguera de Anápolis, Alisson Moura Chagas, defende que “a língua é uma estrutura viva e está em constante transformação”. Para ele, “a linguagem da Internet já influencia as práticas de ensino na atualidade, tanto na educação básica quanto da educação superior”. Apesar da visão otimista de Chagas em relação às transformações da escrita por conta da Internet , ele adverte que é preciso se atentar ao linguajar adotado para que a mensagem possa ser compreendida pelo interlocutor. Em entrevista, ele afirmou que “muitos textos publicados nas redes, por conta dessas novas formas de escritas, não são compreendidos, por não serem claros e objetivos, o que teoricamente prejudicaria a comunicação.

mudança da escrita e do linguajar causada pelo intenso contato com a Internet já é uma realidade entre o povo brasileiro. A tendência é de a língua portuguesa escrita cada vez mais se aproximar do idioma falado, como podemos observar em postagens e comentários na rede, em que a expressão “está” é substituída por “tá”, “cê” entra no lugar de “você”, “magina” é o novo “imagina” e por aí vai. Caio Oliveira é otimista e acredita que essa transformação “trata-se de um processo benéfico em que o idioma é atualizado para servir a novos usuários e a novos contextos a fim de transmitir e receber informações”. Mas também adverte: “Apesar das transformações serem saudáveis para a vida do idioma, devemos entender que a Língua deve estar condicionada à sua situação de uso. Ou seja, não podemos usar a linguagem de Internet em textos oficiais, como provas”.
Fonte: http://literatura.uol.com.br/a-linguagem-da-internet/

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