Projeto Poesia às 2as.feiras


CASTRO, José de; Elma (ilust.) Doce de mamão. IN: A cozinha da Maria-Farinha. 2a.ed. São Paulo, Paulinas, 2007. p.24 (Esconde-esconde)

Maria-Farinha,
ainda menina,
observava
mãe Farestina
preparando o doce de mamão.

Primeiro detalhe:
o mamão não pode
estar maduro nem de vez.
Precisa estar verde,
tão verde como os olhos
mais verdes que existem no mundo.

Mãe Farestina
rala o mamão
num ralador improvisado:
uma lata de goiabada vazia
furada pelo avesso, com pregos.

Bota o mamão ralado na panela,
junta um pouco d'água,
leva ao fogão de lenha e deixa aferventar.

Depois, com uma escumadeira,
recolhe o mamão e o torce
dentro de um pano branco e bem limpinho.

Maria-Farinha ainda hoje se lembra
daquelas trouxinhas de mamão espremido no pano.

De novo o mamão volta pra panela,
dessa vez de mãos dadas com o açúcar,
cravo e canela.

Agora é só tirar o ponto,
e o doce está pronto
pra ser despejado na pedra
pra esfriar e cortar.

Além do mamão ralado,
tem também ele lavrado
de um outro jeito:
em cubos cristalizados.
Essa receita fica para outro dia:
usa até cal virgem,
e isso é mais complicado.
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