Projeto Poesia às 2as.feiras


CUNHA, Leo; CASTANHA, Marilda, CRUZ, Nelson (ilust.) A mão do poeta. IN: Cantigamente. 3a.ed., Rio de Janeiro, 2000. p.4

Poeta tem mão de fada.
Quando ele escreve, a caneta
voa que nem borboleta,
vira vareta encantada.
Não é mais caneta, não,
é varinha de condão.

Poeta tem mão-de-obra.
Tijolo aqui, laje cá,
cola a rima, tira a sobra,
encontra a palavra mágica.
Segura a letra, senão
ela cai na contramão!

Poeta é também mão-leve.
Rouba os sonhos infantis,
sem platéia nem juiz,
mistura num caldeirão
e ninguém diz que ele escreve
versos de segunda mão.

Xii: o livro virou jogo,
parou na tela, pois é...
Será que isso vai dar pé?
É claro, poeta, pega
a onda, surfa, navega.
Põe essa mão  no fogo!

Põe essa mão na massa,
no mouse, que o susto passa.
Cai na rede, cai na estrada,
entra logo nessa teia,
que uma tela não é nada
prum poeta de mão cheia.

Um verso de coração
é sempre uma mão-na-roda,
não fica fora de moda,
não fica fora de mão.
Poeta só dorme quando
fica de mãos abanando.

Não fique cheio de dedos,
puxe um dedo de prosa,
poeta, da mais gulosa.
Que o leitor acorda cedo
e não quer dormir mais não,
quer ficar em boas mãos.




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