Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. O lampejo. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.356

O poema não voa de asa-delta
não mora na Barra
não frequenta o Maksoud.
Pra falar a verdade, o poema não voa:
anda a pé
e acaba de ser expulso da fazenda Utupu
                                           pela polícia.

Como mal dorme mal cheira a suor,
parece demais com o povo:
                                            é assaltante?
                                            é posseiro?
                                            é vagabundo?
frequentemente o detêm para averiguações
          às vezes o espancam
          às vezes o matam
          às vezes o resgatam
          da merda
                         por um dia
e o fazem sorrir diante das câmeras da TV
de banho tomado.

O poema se vende
                se corrompe
confia no governo
desconfia
de repente se zanga
e quebra trezentos ônibus nas ruas de Salvador.

O poema é confuso
mas tem o rosto da história brasileira:
               tisnado de sol
   …

“Os próprios seres humanos somos mudanças ambulantes..." Você não vai querer escrever isso na sua redação, vai? Então, corra para cá!

Oficina de Redação

Biblioteca Monteiro Lobato, Auditório Pedro Dias Gonçalves
30/sábado - 10h
Essa frase citada no título é uma, de algumas das pérolas encontradas na redação do Enem. Venha para a oficina com análise de Redação (coesão, coerência, delimitação do tema, aspectos gramaticais e estilísticos) e de questões objetivas de vestibulares, concursos públicos e do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Informações: 2087-6900 e www.didasko.net.br. Entrada franca. Indicação: 14 anos. Rua João Gonçalves, 439, Centro.
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