Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. O lampejo. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.356

O poema não voa de asa-delta
não mora na Barra
não frequenta o Maksoud.
Pra falar a verdade, o poema não voa:
anda a pé
e acaba de ser expulso da fazenda Utupu
                                           pela polícia.

Como mal dorme mal cheira a suor,
parece demais com o povo:
                                            é assaltante?
                                            é posseiro?
                                            é vagabundo?
frequentemente o detêm para averiguações
          às vezes o espancam
          às vezes o matam
          às vezes o resgatam
          da merda
                         por um dia
e o fazem sorrir diante das câmeras da TV
de banho tomado.

O poema se vende
                se corrompe
confia no governo
desconfia
de repente se zanga
e quebra trezentos ônibus nas ruas de Salvador.

O poema é confuso
mas tem o rosto da história brasileira:
               tisnado de sol
   …

Biblioteca Indica: Mário Quintana

Nascido em Alegrete, em 30 de julho de 1906, o poeta gaúcho Mário Quintana tornou-se um dos principais escritores brasileiros do século XX.




"Eu quero o 
mapa das nuvens 
e um barco 
bem vagaroso". 



Mário Quintana
As principais características dos seus textos são a linguagem simples, clara, que fala de sentimentos e faz alusões ao cotidiano. Fala do amor, das tristezas, da infância, dentre outros.
Em sua carreira desenvolveu trabalhos de tradução, tendo o primeiro feito com a obra Palavras e Sangue, de Giovanni Papini. Interpretou obras de autores renomeados como Marcel Proust, Honoré de Balzac, Graham Greene e Guy de Maupassant, tornando-se um dos responsáveis pelo acesso do povo brasileiro às obras da literatura internacional.

Quintana teve seus poemas publicados no jornal Correio do Povo, onde trabalhou por quarenta anos, sendo este o maior veículo de divulgação de sua obra poética. Suas obras passaram a integrar os volumes didáticos das escolas, sendo publicadas em vários exemplares de livros da língua portuguesa e de literatura.
Dentre tantas obras, as de maior destaque são: Canções, 1945; Quintares, 1976; O Baú de Espantos, 1986; dentre outros.


Um de seus poemas mais conhecidos é o Poeminha do Contra, após a terceira tentativa em conquistar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. O poema diz:



Todos esses que aí estão,
atravancando meu caminho,
eles passarão... 
eu passarinho”...


Se inspire com esses e outros versos deste grande escritor, visite nossa seção de Poesia.
Quem sabe você não descobre que:


Fonte: Brasil Escola
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