Projeto Poesia às 2as.feiras

Imagem
GULLAR, Ferreira. Glauber morto. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.351

O morto não está de sobrecasaca
não está de casaca
não está de gravata.

O morto está morto

não está barbeado
não está penteado
não tem flor na lapela
um flor 
na calça
sapatos de verniz

não finge de vivo
não vai tomar posse 
na Academia.

O morto está morto
em cima da cama
no quarto vazio.

Como já não come
como já não morre
enfermeiras e médicos
não se ocupam mais dele.

Cruzaram-lhe as mãos
ataram-lhe os pés.

Só falta embrulhá-lo
e jogá-lo fora.



Projeto Poesia às 2as.feiras


BELINKY, Tatiana; Dalmau (Ilustr.) Eu sou a dita-cuja. São Paulo, Noovha America, 2010. 23p.

Para mim, não é preciso 
padecer no paraíso!
Ser mãe não é sacrifício!
Vale o custo-benefício.

E pra isso comprovar
do meu filho eu vou falar!
Falo com sinceridade
e o que digo é só verdade!

Com seu jeito natural,
o meu filho é legal!
Ele tem, de muitos lados,
qualidades, predicados.

Como rica fantasia,
otimismo e alegria,
brincadeira, travessura,
com carinho e ternura.

Em ação desde que acorda,
faz de tudo, pinta e borda.
Tem temperamento forte!
Mas não é briguento.

Ele é muito criativo,
é o tal "superativo"!
Generoso e esperto,
mesmo longe, fica perto!

Faça frio, faça calor,
nunca perde o bom-humor!
Fica sério e pensativo,
quando tem um bom motivo.

É às vezes reservado,
chega quieto e sai calado.
Mas se mete o nariz,
abre a boca, fala e diz!

Do espaço ele é senhor,
sem ser rei é reinador!
Buliçoso e irrequieto,
nem dormindo fica quieto!

E meu filho, aqui descrito,
é também o mais bonito!
Para mãe, na realidade,
ele é a filhicidade!

Ah, eu sou a "dita-cuja"

Sou a própria mãe-coruja!
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