Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. O lampejo. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.356

O poema não voa de asa-delta
não mora na Barra
não frequenta o Maksoud.
Pra falar a verdade, o poema não voa:
anda a pé
e acaba de ser expulso da fazenda Utupu
                                           pela polícia.

Como mal dorme mal cheira a suor,
parece demais com o povo:
                                            é assaltante?
                                            é posseiro?
                                            é vagabundo?
frequentemente o detêm para averiguações
          às vezes o espancam
          às vezes o matam
          às vezes o resgatam
          da merda
                         por um dia
e o fazem sorrir diante das câmeras da TV
de banho tomado.

O poema se vende
                se corrompe
confia no governo
desconfia
de repente se zanga
e quebra trezentos ônibus nas ruas de Salvador.

O poema é confuso
mas tem o rosto da história brasileira:
               tisnado de sol
   …

Projeto Poesia às 2as.feiras


BELINKY, Tatiana; FARGAS, Flávio (Ilustr.) De onde é que eles vêm? IN: Cinco trovinhas para duas mãozinhas. 2a.ed., São Paulo, Editora do Brasil, 2008. p.15

Já cansados de brincar
Resolveram conversar
Três crianças, irmãozinhos,
De três, quatro e cinco aninhos.

Disse a menor das três:
-- De onde é que vêm os bebês?
-- São colhidos no repolho,
Respondeu-lhe outro pimpolho.

-- Que bobagem, seu pamonha,
Quem traz eles é a cegonha.
-- Que ignorância, ó maninha,
Caçoou a maiorzinha.

E a caçula disse então:
-- Cês não sabem nada não.
Pra mamãe vou perguntar,
Ela sim vai me contar.

Dito e feito -- perguntou
E a mamãe lhe explicou:
-- Os bebês, deixa que eu diga,
Saem de dentro da barriga

Das mamães! Mas duvidando,
Grita a miúda, desafiando:
-- É?! Pois prove, sem demora:
Me "vomite" um, agora!
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