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Projeto Poesia às segundas-feiras


ELIOT, T.S.; JUNQUEIRA, Ivan (trad.) Um cântico para Simeão IN: Poesia. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1981. p.135 (Poiesis)

Senhor, os jacintos romanos estão florindo nos vasos
E o sol do inverno resvala sobre as colinas de neve.
Rendeu-se a quadra obstinada.
Minha vida é luz, à espera do sopro da morte,
Tal uma pluma no dorso de minha mão.
A poeira entre os raios de sol e a memória nos cantos
Aguardam o vento que esfria rumo à terra morta.

Concede-nos tua paz
Muitos anos caminhei nesta cidade,
Guardei fé e jejum, poupei para os pobres,
Dei e recebi honra e conforto.
Ninguém jamais de minha porta repeli
Quem se recordará de minha casa, onde viverão os filhos de meus filhos?
Quando vier o tempo do infortúnio?
Buscarão eles a trilha da cabra e a toca da raposa,
Esquivando-se às faces e às espadas forasteiras.

Antes do tempo das cordas e dos flagelos e dos lamentos
Concede-nos tua paz.
Antes das estações na montanha da desolação,
Antes da hora certa da aflição materna,
Agora, nesta quadra em que morte se avizinha,
Possa o Infante, o Verbo inexpresso e impronunciado ainda,
Conceder a consolação de Israel
A quem tem oitenta anos e nenhum amanhã
Conforme tua palavra.

Eles te haverão de exaltar e de sofrer em cada geração
Com glória e escárnio,
Luz sobre luz, galgando a escada dos santos.
Não para mim o martírio, o êxtase do pensamento e da prece,
Não para mim a última visão.
Conceda-me tua paz.
(E uma espada trespassará teu coração,
O teu também)
Estou cansado de minha vida e da vida dos que virão depois de mim,
Estou morrendo de minha morte e da morte dos que virão depois de mim.
Deixa partir teu servo,
Após ter visto tua salvação.
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