Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. Poema. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.217
Se morro o universo se apaga como se apagam as coisas deste quarto                                     se apago a lâmpada: os sapatos-da-ásia, as camisas e guerras na cadeira, o paletó- dos-andes,          bilhões de quatrilhões de seres e de sóis          morrem comigo.
Ou não:           o sol voltará a marcar           este mesmo ponto do assoalho           onde esteve meu pé;                                          deste quarto           ouvirás o barulho dos ônibus na rua;             uma nova cidade             surgirá de dentro desta             como a árvore da árvore.
Só que ninguém poderá ler no esgarçar destas nuvens a mesma história que eu leio, comovido.

Grandes Amizades Literárias: "se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…"(O pequeno príncipe).


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Nesse dia da Amizade, trazemos exemplos inesquecíveis de amizades que marcaram para sempre a literatura.
 Afinal,  um AMIGO nos inspira, nos anima e juntos vivemos grandes aventuras.


Ainda que Sherlock Holmes seja o maior detetive de todos os tempos, desvendando mistérios a partir da sua lógica dedutiva e métodos científicos, como falar de Holmes sem lembrar do Dr. Watson? Difícil, senão impossível! Já que todos os grandes mistérios desvendados pelo ilustre detetive, criado por Sir Conan Doyle são narrados pelo seu fiel amigo.


Só mesmo um bom amigo, que tem a visão mais realista do mundo consegue acompanhar as viagens imaginárias de Dom Quixote, no clássico de Cervantes. Dom Quixote e Sancho Pança representam valores distintos, embora sejam participantes do mesmo mundo. São mundos completamente diferentes. Sancho Pança o fiel escudeiro de Dom Quixote é definido por Cervantes como "Homem de bem, mas de pouco sal na moleirinha". É o representante do bom senso e é para o mundo real aquilo que Dom Quixote é para o mundo ideal.


Não é só de duplas que são feitas as amizades literárias. A lealdade do trio Harry, Hermione e Rony marcaram uma geração e comoveram leitores no quesito amizade. E pensar que no início da saga Harry Potter da autora J.K. Rowling, os dois meninos queriam distância da inteligente menina dos cabelos desgrenhados.

Claro que não se pode deixar de mencionar a dupla Frodo e Sam, criada por J.R.R.Tolkien. Não há dúvida da lealdade de Sam pelo pequeno hobbit que tem a missão de carregar o anel de Sauron. Afinal, que amigo te acompanharia até Mordor?! Sam está sempre disposto a ajudar Frodo em sua jornada e motivá-lo quando desesperançoso. Em O Retorno do Rei, em que Frodo não aguentando mais continuar a jornada é apoiado por Sam que diz: “Eu disse que o carregaria, mesmo que arrebentasse as costas – murmurou ele -, e é isso que vou fazer! Venha, Sr. Frodo! – gritou ele. – Não posso carregar a coisa em seu lugar, mas posso carregá-lo junto com ela”.

Reconhecido como um livro de passagens marcantes pelas frases que até hoje são citadas, O Pequeno Princípe traz em seu diálogo com a raposa uma pequena essência e explicação do que é a amizade. Em tão poucas palavras pode-se sentir toda a força e a profundidade desse sentimento.

...– Que quer dizer cativar? (…)
Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras? (…)
(…) Eu procuro amigos. Que quer dizer cativar?
É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa criar laços.
Criar laços?
Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…
Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…
Vês, lá longe os campos de trigo? (…) O trigo é para mim inútil (…) Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti (…) Por favor… cativa-me!
Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não tem mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
Que é preciso fazer?, perguntou o principezinho.
É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não me dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto… (…) Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três começarei a ser feliz. (…) Descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos.
Que é um rito? Perguntou o principezinho.
É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas.
(…) Assim, o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
Ah, eu vou chorar (…) Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. (…) Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.


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