Projeto Poesia às segundas-feiras

MURALHA, Sidônio; Fê (ilustração). Todas as crianças da terra. São Paulo, Global, 2004. 16p.

Um capacete de guerra tem um ar carrancudo,
Muito mais bela é uma flor.
Um flor tem tudo
para falar de paz e de amor.

Mas se virarmos o capacete de guerra
ele será um vaso, e é bem capaz
de ter uma flor num pouco de terra
e falar de amor e de paz.

A paz é um pomba que voa.
É um casal de namorados.
São os pardais de Lisboa
que fazem ninho nos telhados.

E é o riacho de mansinho
que saltita nas pedras morenas
e toda a calma do caminho
com árvores altas e serenas.

A paz é o livro que ensina
É uma vela em alto mar
e é o cabelo da menina
que o vento conseguiu soltar.

E é o trabalho, o pão, a mesa,
A seara de trigo, ou de milho,
e perto da lâmpada acesa
a mãe que embala o filho.

A paz é quando um canhão
muito feio e de poucas falas,
sente bater um coração
e dispara cravos, em vez de balas.

E é o abraço que dás
no dia em que tu partires,
e as gotas de chuva da paz
no balanço do arco-íris.

A paz é a família inteira
na alegria do lar,
bem juntinho da lareira
quando o inverno chegar.

A paz é a onda redonda
que da praia tem saudades
e muito mais do que a onda
A paz é vida sem grades.

A paz são aquelas abelhas
que nos dão favos de mel
e todas as papoulas vermelhas
que eu desenho no papel.

Ventoinha, ventarola
moinho que faz farinha,
meninos que vão a escola,
a paz é tua e minha.

É luar de lua cheia
tocando as casas e a rua
são conchas, búzios na areia,
a paz é minha e tua.

E o povo todo unido
no mundo, de norte  a sul,
e é um balão colorido
subindo no céu azul.

A paz é o oposto da guerra,
é o sol, são as madrugadas,
e todas as crianças da Terra
de mãos dadas, de mãos dadas,
de mãos dadas
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