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Mostrando postagens de Janeiro, 2015

Mundo dos Quadrinhos

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Nova York – A vida na Grande Cidade
Uma obra do grande mestre do gênero, Will Eisner: as quatro graphic novels, reunidas neste único volume, foram escritas entre os anos 80 e 90, e traçam um retrato genuíno, ao mesmo tempo brutal e profundamente humano, da vida na cidade grande. Protagonizadas por personagens singulares, essas pequenas histórias registram momentos às vezes irônicos, às vezes trágicos, da vida dos habitantes da metrópole, revelando muito mais do que “um acúmulo de grandes edifícios, grandes populações e grandes áreas”.

Esses breves vislumbres iluminam com delicadeza desde as situações mais cotidianas até as reviravoltas mais trágicas. O olhar agudo que se revela nas vinhetas ganha em “O edifício” e “Pessoas invisíveis” aspecto mais sombrio. Nessas histórias que são, sobretudo, biografias de personagens solitários e esquecidos, Eisner põe em xeque o isolamento e a indiferença impostos pela metrópole. Verdadeira obra-prima dos quadrinhos, Nova York é um registro impression…

Projeto Poesia às segundas-feiras

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BRECHT, Bertolt; SOUZA, Paulo César de (organizador e tradutor). Do pobre BB. IN: Poemas (1913-1956). São Paulo, editora 34, p.53

1.
Eu, Bertolt Brecht, venho da floresta negra.
Para a cidade minha mãe me carregou
Quando ainda vivia no seu ventre. O frio da floresta
Estará em mim até o dia em que eu me for.

2.
Na cidade de asfalto estou em casa. Recebi
Desde o início todos os sacramentos finais:
Jornais, muito fumo e aguardente. Desconfiado
Preguiçoso e contente - não posso querer mais!

3.
Sou amável com as pessoas. Uso
Um chapeu cartola segundo seu costume.
Digo: são animais de cheiro bem peculiar
E digo: Não faz mal, também tenho esse perfume.

4. 
Pelas manhãs, em minha cadeira de balanço
De vez em quando uma mulher faço sentar
E observando-a calmamente lhe digo:
Em mim você tem alguém em quem não pode confiar.

5. 
À noite, alguns homens se reúnem a minha volta
E entre nós, "gentlemen" é o tratamento vigente.
Colocam os pés sobre a minha mesa
Dizem: As coisas vão melhorar. E eu não pergunto: Realm…

Projeto Poesia às segundas-feiras

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ANDRADE, Carlos Drummond de. Um passarinho em toda parte. IN: As impurezas do branco: poesia. 7a.ed. Rio de Janeiro, Record, 1998. p.122

Bem te vi, bem-te-vi
bem te ouvi recitando
e repetindo nítido
teu bentibentivismo.
Bem te vi lá na roça
nas árvores, nas águas,
bem te vi na cidade
que prolongava a roça,
bem te vi no Jardim
da República sobre
o cupim das cutias
estátuas no gramado,
bem te vi na Argentina,
quando o chána planícíe
chamava a revoada
de borboletas trêmulas
sobre o azul da piscina,
bem te vi, bem te vejo
na vasta galeria
de bichos e de coisas
irmãos de nossa vida
a esvoaçar na voz
dos mais velhos que ensinam
o almanaque da terra,
bem te vi, bem te vejo
presente entre as ausências
que me vão rodeando
e quando bem te avisto
e te ouço, eis que me assisto
devolvido ao primeiro
bem-ver ouvir do prístino
bem-te-vi bentivisto.

BIBLIOTECA INDICA: JORNALISMO E LITERATURA

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Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade. George Orwell

WODDWARD, Bob; BERNSTEIN, Carl. Todos os homens do Presidente. Localização física: F B449t Este livro reconstitui a investigação feita pelos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein do caso Watergate, escândalo político que levou o presidente Richard Nixon à renúncia há exatos 40 anos. Em linguagem eletrizante e cinematográfica, os dois repórteres contam como ajudaram a revelar uma poderosa rede de espionagem e sabotagem montada dentro da Casa Branca contra políticos do Partido Democrata. "Todos os Homens do Presidente” é considerado um clássico do jornalismo e um marco histórico da liberdade de imprensa.

CONTI, Mario Sérgio. Notícias do Planalto. Localização física: 070 C779n
Um livro sobre os poderes e limites da grande imprensa. Num relato pioneiro, Mario Sergio Conti mostra - por dentro - o que é a grande imprensa, como ela age, como são tomadas as decisões nas redações, como …

Mundo dos Quadrinhos

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Sanctuary
É um mangá policial escrito por Sho Fumimura e ilustrado por Ryoichi Ikegami, o mesmo de Crying Freeman e Mai, a Garota Sensitiva. A série narra a história de Akira Hojo e Chiaki Asami, dois amigos que sobreviveram juntos à guerra no Camboja. Ao retornarem ao Japão, eles encontram um país de pessoas acomodadas e pouco preocupadas com o futuro. Os dois fazem um pacto: dominar o Japão e transformar o país no seu santuário particular. Para isso eles seguem caminhos diferentes: Hojo se une à Yakuza e Asami entra para a política. O mangá é uma combinação entre história policial e thriller político combinado com a força dos personagens e de suas convicções.
A Biblioteca Monteiro Lobato possui a coleção parcialmente.

"Um país se faz com homens e livros"

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LOBATO, José Bento Monteiro. Um país se faz com homens e livros IN: AMERICA. 5a.edição, São Paulo, Brasiliense, 1951. p.45 (Obras completas de Monteiro Lobato, v.8)

Capítulo 6: Homens e livros. Reminiscencias duma palestra no Corcovado. As pontas dos fios. A riqueza da biblioteca do Congresso. Hercules e Onfale. Como se formam palavras

          Um país se faz com homens e livros. Minha vista aos monumentos de George Washington e Lincoln provou-me que a America tinha homens. Ter homens, para um país, é ter Washingtons e Lincolns, forças tão marcantes que sobre sua obra não pode a morte. Viva enquanto viver a America, seus dois herois viverão com ela, dia a dia mais sublimados. Já nem mais são homens hoje, decenios passados do desaparecimento da cena, mais semi-deuses. Crescem sempre. Divinizam-se. Em torno destas pilastras a America se cristalizou. Nas maiores crises morais nunca lhe faltará o apoio do general que não mentia e do lenhador que impediu a destruição da obra do general.

(...…

Projeto Poesia às segundas-feiras

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MURRAY, Roseana; Galvão (ilustração). Tantos medos e outras coragens. São Paulo, FTD, 2007. 32p. (Segundas histórias)

Muitos medos a gente tem
e outros a gente não tem.
Os medos são como olhos de gato
brilhando no escuro.

Há, por exemplo, o medo de escuro
e tudo o que o escuro tem:
lobo mau, floresta virgem, alma
do outro mundo, portas fechadas,
cavernas, porões, ai que pavor!

O escuro tem mãos de veludo
que fazem o coração rolar
pela escada,
pela rua,
pela noite afora
como um cavalo sem freio.

E tem o medo de bicho
rato, cobra, barata,
morcego, aranha e lagartixa.
Tem gente que dá chilique,
grita, se arrepia, se arrebita,
e tem gente que nem liga,
pega o chinelo
e já vai esmigalhando,
ou simplesmente,
de um jeito mui digno,
passa por cima.

E tem o medo de conhecer
outras pessoas
medo de ir à festa,
medo de dançar errado,
o medo terrível de qualquer primeiro dia.

E tem o medo de mudar
de casa,
de mudar de rua,
de cidade, de país.

Mas tem gente que adora ir
e dançar e conhecer amigo novo.
Tem gente que adora se mudar,
que a…

Projeto Poesia às segundas-feiras

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MURALHA, Sidônio; Fê (ilustração). Todas as crianças da terra. São Paulo, Global, 2004. 16p.

Um capacete de guerra tem um ar carrancudo,
Muito mais bela é uma flor.
Um flor tem tudo
para falar de paz e de amor.

Mas se virarmos o capacete de guerra
ele será um vaso, e é bem capaz
de ter uma flor num pouco de terra
e falar de amor e de paz.

A paz é um pomba que voa.
É um casal de namorados.
São os pardais de Lisboa
que fazem ninho nos telhados.

E é o riacho de mansinho
que saltita nas pedras morenas
e toda a calma do caminho
com árvores altas e serenas.

A paz é o livro que ensina
É uma vela em alto mar
e é o cabelo da menina
que o vento conseguiu soltar.

E é o trabalho, o pão, a mesa,
A seara de trigo, ou de milho,
e perto da lâmpada acesa
a mãe que embala o filho.

A paz é quando um canhão
muito feio e de poucas falas,
sente bater um coração
e dispara cravos, em vez de balas.

E é o abraço que dás
no dia em que tu partires,
e as gotas de chuva da paz
no balanço do arco-íris.

A paz é a família inteira
na alegria do lar,
be…