Projeto Poesia às 2as.feiras

Imagem
GULLAR, Ferreira. Oswald morto. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.73

Enterraram ontem em São Paulo
um anjo antropófago
de asas de folha de bananeira
(mais um nome que se mistura à nossa vegetação tropical)

As escolas e as usinas paulistas
não se detiverem
para olhar o corpo do poeta que anunciara a civilização do ócio
Quanto  mais pressa  mais vagar

O lenço em que pela última vez
assoou o nariz
era uma bandeira nacional

NOTA:
Fez sol o dia inteiro em Ipanema
Oswald de Andrade ajudou o crespúsculo
hoje domingo 24 de outubro de 1954

Lançamento de livro - “Fabularama”

fabularama
Capa do livro
O Professor José Alaercio Zamuner lança e promove recital de estórias e poesia em torno de seu novo livro “Fabularama”, uma obra que traz na sua formação o imaginário brasileiro: mitos, lenda, crendices, curas, rezas, danças, contos e versos; uma fusão das culturas de nosso solo (indígena, europeia e a africana).

Indicação: livre.
Entrada franca. Informações: 2087-4177.

Biblioteca Monteiro Lobato, Auditório Pedro Dias Gonçalves (ver endereço)
23 de Agosto 2014 (sábado)
19h 

Sinopse feita pelo autor:

Sobre a obra FABULARAMA,  maio de 2014
O recorte abaixo é o início de Fabularama. Uma obra que tem como motivo as narrativas orais (mitos, lendas…), o nosso folclore, uma cultura formada em solo brasileiro (aqui o ambiente está em Águas de Lindoia e Monte Sião, berço do autor), com o encontro dos povos: Tupi-Guarani, Europeia e a Africana.
Vai ouvindo.
Foi assim…

De primeiro, quando muito pouca gente andava por estes lados do mundo, quando isto tudo ainda se tornando em roça e vilarejo de cidade, de repente, veio tremor sísmico que durou sete dias e sete noites seguidas. Contam os antigos que, por esse advento, um ronco pairou zumbindo sobre a crosta destas terras, porque fendas subiram de um fundo tectônico na força de rachar a terra e expelir, quilômetros acima, um intenso nevoeiro de vapores radioativos, nuvens de enxofre, e poeira de silício, e mais caos que escureceu, de estranha cor, o sol do céu… depois deixou o dia para sempre encantado, até aparecer uma noite, que ficou muito mais misteriosa e fantástica do que qualquer outra noite.
Vão ouvindo…
Aqueles eram dias bem exóticos, de constante terra movediça: árvores balançando e tombando, planícies ondulando pra cima pra baixo que nem mar, e as fendas cuspindo lavas e formando estes cumes altíssimos – quem vê se espanta! O Morro do Cruzeiro, hoje, fura as nuvens, de lá, seus olhos descem, desequilibrados, para as ondas de serras menores, que formam íngremes desfiladeiros, e chegando cá embaixo, os vales abrem um dilatado leque esticando os confins das vistas… É assim o vale do Barreiro, pra quem o observa do topo dos Francos Cantare; parece feito na medida certa de esfriar estas terras por assim abanando-as. Mas, ainda em ousadia daqueles dias, bem no centro de tudo, num violento estrondo do sétimo dia, emerge, muito mais do que alto, o Morro Pelado, figurando um ser ancestral, acomodado no chão em repouso, que de suas pernas brotam grotas profundas com a misteriosa caverna, onde um túnel rasga por debaixo do chão até Machu Picchu e revela; pra quem fuça por lá, um rosário de mistérios: ouro dos Incas, cidades encantadas, entes estranhos, base para discos voadores – muitos contam assim… Mas, para outros muitos, o mais certo mesmo é que essa tal caverna misteriosa serve de moradia à Cobra Grande que vigia o Morro Pelado, protege-o e persegue assustando hereges desabusados em todos os tempos. É por isso que vez ou outra a Cobra Grande aproveita as tempestades, se enfurece, toma o corpo do Rio do Peixe, e tudo vira em grande princípio novamente… Eis aí o motivo para tanto teatro dentro deste hotel…
O Palhaço João Goulart:
Toda estória pede para ser recontada
O tempo avançando puxou os anos… Tudo parecendo acomodado… Ao pé das subidas desses morros todos que falei, nasceram águas primitivas, do mais profundo chão radioativo, emanando torônio, radônio, gases, magnésio… e vêm subindo por ranhuras na terra de ferver e tornar santas as águas destes vales.
Dos redores e dos estrangeiros, mais bichos da terra, bichos da água, bichos do ar, e mais gentes chegando. Todos na tarefa de re-compor um tempero ao ponto de fábulas a este chão, auxiliados por uma certa casta de seres: entes de estranhos pareceres, por certo trazidos ou criados por estes eventos primordiais: não são certamente, esses seres de estranhos pareceres, de um modo somente, mas sim mesclados, desfigurados, de arrepiar: maléficos e bondosos, bonitos e horríveis, dóceis e violentos, imaginem: benditos e excomungados. Cuidado, radioativos!… Para uns, casta maldita, para outros, casta bendita… Bendita? Dizem muitos que “Bendita” só para estes tempos de causos. Mas há um crédito a tudo isso. Cantare; este é o verdadeiro nome deste lugar, desde seu princípio de sagrada catástrofe, nasce transfigurada na existência de suas coisas toda vez que carochinha e bruxos entram em intenso fabularama. Não tenham medo, são só vivas estórias que despertam fantasias, mas depois, tudo torna a ser como dantes no quartel de Abrantes, garantido, palavra de um contador de causos.
O Palhaço:
Contar a história de um mito dá-lhe forças e prolonga sua existência
Mesmo sendo, hoje, as cidades dos redores iluminadas de carros, satélites e radares lá de cima, tudo beira o fantástico por aqui, quando neste instante de fabularama. Um explicativo cabe neste ponto: é que desde então, por herança primordial, dizem as carochinhas em seus contos, estas fábulas trazem um mundo de lugares e entes escondidos. E podem mirar potentes lentes e luzes reluzentes para as entranhas de Cantare, na tentativa de buscar e desvendar um quê desses seres fabulosos andando nas bocas dos seus narradores. Qual o quê, tempo perdido. Como se diz, invisíveis que são, em relâmpago, aparecem desaparecendo quando bem querem. Mais ainda, sabem desse poder… é um mundo paralelo: ínfimos filamentos penduradinhos e escondidinhos por detrás do visível, caminhando por igual, no mesmo passo, mas compondo fantasias, sua obrigação. Nasceu assim, desde logo que seus narradores principiaram contando estórias. Nem adianta espernear, olhar com cara de louca, viu, Lili! Cantare é visível de seu modo: sempre no lusco-fusco dos causos em Fabularama.
Não se assombre tanto assim nos olhos, senhorita Bucô… Acontece que o Rio do Peixe subiu fabuloso nas águas, desceu de sua cabeceira, Mantiqueira abaixo, com músculos da encantada serpente, dando botes e solavancos de agarrar, torcer e amassar suas margens, aí levou pontes, casas, animais… gente!…, embolando tudo numa catástrofe fabulosa: a casa do seu Matielo foi parar em cima de uma árvore, um navio, e nem tem mar por aqui, amanheceu sobre o prédio Guarany… Tem de ver!… As estradas destes elevados morros restam com barreiras desabando: assombro de ambos os lados. Esta chuva por dias e dias a fio enfeitiçou o Rio, assaz. Por onde passa libera um dilúvio de fábulas: agudamente de espanto: tanto no temor ou nos risos. De qualquer forma, pouca coisa pode-se fazer neste agora dos 22º 28’… latitude sul e 46º 37’… longitude oeste, por tal causa e além eventos somados, as vidas das fábulas de Cantare querem sair de suas histórias e se misturarem a nós sem pressa, sem preço…
Contato com o autor sobre a obra:  alaercio@uol.com.br
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