Biblioteca Indica: Sempre é tempo para bons sentimentos. Histórias de amor, paz, amizade, esperança, fé, lealdade, gratidão e solidariedade.

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"Todo o nosso conhecimento se inicia com sentimentos."


SCHOLES, Katherine; INGPEN, Robert. Tempos de paz. Localização: J S391t A Unesco, desde sua criação no final da Segunda Guerra Mundial, já declarava: As guerras nascem no espírito dos homens; logo, é no seu espírito que precisam ser erguidos os baluartes da paz. Aprenda a resolver pacificamente os problemas de sua vida - primeiro que tudo. Isso porque a paz começa com você. No seu próprio quintal. Ainda há as imagens belíssimas de Robert Ingpen que interagem com o tom questionador e reflexivo do livro. Sua leitura contribuirá para sensibilizar a criança a ter uma relação harmoniosa consigo mesma, com os outros e com a natureza.

GEE, Darien; KLESCK, Alice. O pão da amizade. Localização: F G263p Um presente anônimo conduz uma mulher a uma jornada que ela jamais poderia imaginar. Certa tarde, Julia Evarts e Gracie, sua filha de cinco anos, chegam em casa e encontram um presente na varanda da frente: um pão da amizade com o simpl…

Projeto Poesias às segundas-feiras


Alegria, entre cinzas

Manhã de quarta-feira.
Santa Luzia e São José chamam as cinzas
em suas igrejas libertas de carnaval
"Quando jejuardes
-- naquele tempo disse Jesus a seus discípulos --
não vos entristeçais como os hipócritas..."
Por isso, das cinzas ainda quentes
do carnaval levantam-se os carnavalescos
e voltam ao trivial pressaboreando
a festa do ano próximo -- alaúza!



Milhares e milhares e milhares
de passistas sambistas bateristas
servidores de um rei que pula e não castiga
tiram a pestana suficiente
para emendar a festa com o batente.
Pequeno Luís Rei de França do Salgueiro
despe a magnificência, pede a bênção
ao pai, bombeiro hidráulico, na oficina.
Meio-dia.
Clóvis Bornay bate o ponto no Museu.
Volta ao circo elefante imperial
que transportava Dona Santa do Maracatu.
Volta o Municipal amarfanhado
ao seu silêncio de ópera sem partitura.

Volta a grama a crescer, ou custa um pouco
nos jardins massacrados? Por milagre
voltam os galhos verdes decepados,
para junto dos troncos, ou não  mais
estes oitis serão como eram antes?

Que mortes vegetais o grão desfile
foi lavando no corpo da cidade?
Que atropelos, atrasos, prejuizos
Lançaram de ciranda-confusão,
para que açafatas e marqueses
surrealistas de um  norte
deslumbrassem turistas-privilégio
em arquibancadas equipadas
com sanitários fiberglass
que em lugar nenhum outro aos joões-brandões
atendem no momento de aflição?

Cinzas,
pó de penitência. Será mesmo?
penitência de que -- do não brincado
ou de folgança programada
a que a falta a cedilha do espontâneo?
Doi a cabeça, a dor circula
o corpo inteiro, doendo em parafuso,
em looping, xadrez, diagonal.
Mas a última célula da memória
registra a inda o ranger de babilônias
e rouco marulhar de som e selva:
cataratas humanas de Iguaçu,
pavões, califas de Bagdá e Realengo
desfilam entre rainhas gaditanas
com torres de marfim no cocoruto,
pescadores portam jacarés
personalizados como cheques,
homens de Neanderthal voltam à origem
e, emergindo do mar de plástico e sarrafos,
Iemanjá Dandalunda Janaina
crioula cor de prata
rabeia com tiques de sereia
perto do cartorial Palácio da Justiça.
Ou tudo for pesadelo
de três-quatro noites qual curtidas?

Cinza, cinza redentora
de todos os pecados contra o gosto
cometidos e a cometer em nome da alegria
(essa senhora tão ausente dos programas alegres).
Ainda de pareôs, sarongs, camisetas
suados de pular, hoje caídos
no chão cinza do quarto.
Que bocejo de festa cansadeira
no bustier de lenço drapejado.
Lamê enlameado na sarjeta.
Strass.
Stress.
Liza Minelli passou entre passistas.
Frank Sinatra não veio, como sempre.
O mundo-melhor dos utopistas
dissolvem-se na mesma inconclusão.
De qualquer modo, irmãos, amigos meus,
ouçamos a palavra que em Mateus
(v.1, '16) está gravada:
"Não vos entristeçai como os hipócritas..."
Há sempre uma promessa de alegria.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Discurso de primvera e algumas sombras. Rio de Janeiro, Record, p.78


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