Projeto Poesia às segundas-feiras


Casas

                                 Para Cecília Meireles

A casa de Herídia, com grandes sonetos dependurados como panóplias
E escadarias de terceiro ato,
A casa de Rimbaud, com portas súbitas e enganosos corredores, casa-diligência-navio-aeronave-pano, onde não se perdem os sonâmbulos e os copos de dados,
A casa de Appollinaire, cheia de reis de França e valetes e damas dos quatro naipes e onde a gente quebra admiráveis vasos barrocos correndo
atrás de pastorinhas do século XVIII,
A casa de William Blake, onde é perigoso a gente entrar,
porque pode nunca mais sair dela...
A casa de Cecília, que fica sempre noutra parte...
E a casa de João-José, que fica no fundo de um poço, e que não é propriamente casa, mas uma sala-de-espera no fundo do poço.

QUINTANA, Mário. O aprendiz de feiticeiro. São Paulo, Globo, 2005. p.28


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