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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

Oficina Infantil de Gravura

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Neste mês a Biblioteca convida as crianças a colorirem folhas de papel com giz de cera e depois “rasparem” através de desenhos. Indicação: livre.

5 de março de 2013
Biblioteca Orobó Jardim Presidente Dutra
14h

Varal de Poesias

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Dia Internacional da Mulher
De 1º a 15 de março, em comemoração ao Dia da Mulher, o varal trará orientações sobre serviços prestados pela Coordenadoria da Mulher do Município.

Datas comemorativas
De 18 a 29 de março, o varal homenageará dois grandes escritores, Rui Barbosa (90 anos de saudades) e Graciliano Ramos (60 anos de saudades), bem como o pensador Karl Marx (130 anos de saudades).

Biblioteca Monteiro Lobato
1º a 15 de março e de 18 a 29 de março de 2013
9h às 18h

Projeto Poesia às segundas-feiras

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O apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

BARROS, Manoel de. Memórias inventadas: as infâncias de Manoel de Barros. São Paulo, Planeta do Brasil, 2008. p.43-45




Sarau Lê Guarulhos

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A Secretaria de Cultura, a Biblioteca Monteiro Lobato e a Lê Guarulhos (Associação Guarulhense de Escritores) realizarão sarau literário com poesia, contação de histórias, música e breves palestras. Se você for ator ou atriz, por favor, entre em contato com a Lê Guarulhos.

Biblioteca Monteiro Lobato
22 de fevereiro de 2013
19h

6ª Que Vem a História...

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Projeto que visa a reunião de crianças para ouvir a leitura de histórias. Indicação: livre.

Biblioteca CEU Ponte Alta
22 de fevereiro de 2013
14h30min

Projeto poesias às segundas-feiras

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Ao leitor

Sempre tolice e error, culpa e selvageria,
Trabalham nosso corpo e ocupam nosso ser,
E aos remorsos gentis, nós damos de comer
Como o mendigo nutre a sua piolharia.

Frouxo é o arrependimento e tenaz o pecado,
Por vossas confissões muito é o que a alma reclama,
Voltando com prazer a um caminho de lama,
Crendo as manchas lavar com pranto amaldiçoado.

Junto ao berço do mal é Satã Trimegisto,
A nossa alma a  ninar tão longamente invade,
Do precioso metal desta nossa vontade
Este alquimista faz um vapor imprevisto.

É o Diabo que nos move através de cordeis!
O objeto repugnante é o que mais nos agrada,
E do inferno a descer sempre um degrau da escada,
Vamos à noite errar por sentinas crueis.

Tal como um libertino e que beija e mastiga
O seio sofredor de velha Messalina,
Furtamos ao passar um prazer disfarçado
Que esprememos assim como laranja antiga.

Cerrado, a formigar como um milhão de helmintos,
Ceva-se em nossa fronte um povo de avejões,
E quando respiramos, a Morte nos pulmõe…

Projeto Poesias às segundas-feiras

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Alegria, entre cinzas

Manhã de quarta-feira.
Santa Luzia e São José chamam as cinzas
em suas igrejas libertas de carnaval
"Quando jejuardes
-- naquele tempo disse Jesus a seus discípulos --
não vos entristeçais como os hipócritas..."
Por isso, das cinzas ainda quentes
do carnaval levantam-se os carnavalescos
e voltam ao trivial pressaboreando
a festa do ano próximo -- alaúza!

Projeto Poesia às segundas-feiras

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Casas

                                 Para Cecília Meireles

A casa de Herídia, com grandes sonetos dependurados como panóplias
E escadarias de terceiro ato,
A casa de Rimbaud, com portas súbitas e enganosos corredores, casa-diligência-navio-aeronave-pano, onde não se perdem os sonâmbulos e os copos de dados,
A casa de Appollinaire, cheia de reis de França e valetes e damas dos quatro naipes e onde a gente quebra admiráveis vasos barrocos correndo
atrás de pastorinhas do século XVIII,
A casa de William Blake, onde é perigoso a gente entrar,
porque pode nunca mais sair dela...
A casa de Cecília, que fica sempre noutra parte...
E a casa de João-José, que fica no fundo de um poço, e que não é propriamente casa, mas uma sala-de-espera no fundo do poço.

QUINTANA, Mário. O aprendiz de feiticeiro. São Paulo, Globo, 2005. p.28