Projeto Poesia às segundas-feiras


Zumbi

Em meu torrão natal - Imperatriz -,
nas serras da Barriga e da Juçara,
um homem negro, muito negro, quis
mostrar ao mundo que tinha a alma clara.

E tem o sonho que Platão sonhara: -
que um sonho nobre não possui matiz
(O sol d'Egina é o mesmo sol do Saara,
da Senegâmbia, de qualquer país).

Em mil seiscentos e noventa e sete,
galgam o topo da montanha a pique,
os homens brancos de Caetano e Castro.

E o negro que não se curva e inflete,
faz-se em pedaços para que não fique
com os homens brancos, o seu negro rastro...

O Estado de Alagoas, Maceió, 14 de agosto de 1921

LIMA, Jorge de; BUENO, Alexei (Org.) Poesia completa, v.1. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 2004. p.184.
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