Biblioteca Indica: Sempre é tempo para bons sentimentos. Histórias de amor, paz, amizade, esperança, fé, lealdade, gratidão e solidariedade.

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"Todo o nosso conhecimento se inicia com sentimentos."


SCHOLES, Katherine; INGPEN, Robert. Tempos de paz. Localização: J S391t A Unesco, desde sua criação no final da Segunda Guerra Mundial, já declarava: As guerras nascem no espírito dos homens; logo, é no seu espírito que precisam ser erguidos os baluartes da paz. Aprenda a resolver pacificamente os problemas de sua vida - primeiro que tudo. Isso porque a paz começa com você. No seu próprio quintal. Ainda há as imagens belíssimas de Robert Ingpen que interagem com o tom questionador e reflexivo do livro. Sua leitura contribuirá para sensibilizar a criança a ter uma relação harmoniosa consigo mesma, com os outros e com a natureza.

GEE, Darien; KLESCK, Alice. O pão da amizade. Localização: F G263p Um presente anônimo conduz uma mulher a uma jornada que ela jamais poderia imaginar. Certa tarde, Julia Evarts e Gracie, sua filha de cinco anos, chegam em casa e encontram um presente na varanda da frente: um pão da amizade com o simpl…

Poesia às segundas-feiras

MAIAKOVSKI, Vladmir. Maiakovski: poemas. Tradução de Boris Schnaiderman, Augusto e Haroldo de Campos. 8. ed. São Paulo, Perspectiva, 2011. p. 123 (Signos)

Incompreensível para as massas
Entre escritor e leitor posta-se o intermediário,
e o gosto intermediário e bastante intermédio.
Medíocre mesnada de medianeiros médios
pulula na crítica e nos hebdomadários.
Aonde galopando chega te pensamento,
um deles considera tudo sonolento.
— Sou homem de outra têmpera! Perdão,
lembra-me agora um verso de Nadson...
O operário não tolera linhas breves.
(E com tal mediador ainda se entende Assieiev!)
Sinais de pontuação? São marcas de nascença!
O senhor corta os versos toma muitas licenças.
Továrich Maiakovski, por que não lhe escreve iambos?
Vinte copeques por linha eu lhe garanto, a mais.
E narra não sei quantas lendas medievais,
e fala quatro horas longas como anos.
O mestre lamentável repete um só refrão:
— Camponês e operário não o compreenderão.
O peso da consciência pulveriza o autor.
Mas voltemos agora ao conspícuo censor:
Camponeses só viu há tempo antes da guerra, na datcha ao comprar mocotós de vitela.
Operários? Viu menos.
Deu com dois uma vez por ocasião da cheia,
dois pontos numa ponte contemplando o terreno,
vendo a água subir e a fusão das geleiras.
Em muitos milhões para servir de lastro
colheu dois exemplares o nosso criticastro.
Isto não lhe faz mossa — é tudo a mesma massa...
Gente — de carne e osso!
E à hora do chá expende sua sentença:
— A classe operária? Conheço-a como a palma!
Por trás do seu silêncio, posso ler-lhe a alma —
Nem dor nem decadência.
Que autores então há de ler essa classe?
Só Gógol, só os clássicos.
Camponês? Também. O quadro não se altera.
Lembra-me agora — a datcha, a primavera...
Este palrar de literatos muitas vezes passa
entre nós por convívio com a massa.
E impinge modelos pré-revolucionários
da arte do pincel, do cinzel, do vocábulo.
E para a massa flutuam dádivas de letrados —
lírios, delírios, trinos dulcificados.
Aos pávidos poetas aqui vai meu aparte:
Chega de chuchotar versos para os pobres.
A classe condutora também ela pode
compreender a arte.
Logo: que se eleve a cultura do povo!
Uma só, para todos.
O livro bom é claro e necessário
a mim, a vocês, ao camponês e ao operário.
(1927)
Tradução de Haroldo de Campos
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