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Mostrando postagens de Julho, 2012

Poesia às segundas-feiras

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Aula de leitura
A leitura é muito mais
do que decifrar palavras.
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender.

vai ler as folhas do chão,
se é outono ou se é verão;

nas ondas soltas do mar,
se é hora de navegar;

e no jeito da pessoa,
se trabalha ou é à-toa;

na cara do lutador
quando está sentindo dor;

vai ler na casa de alguém,
o gosto que o dono tem;

e no pelo do cachorro,
se é melhor gritar socorro;

e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;

e no tom que sopra o vento,
se corre o barco ou sai lento;

e também na cor da fruta,
e no cheiro da comida;

e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo;

e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso;

vai ler nas nuvens do céu,
vai ler na palma da mão;

vai ler até nas estrelas
e no som do coração.

Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos tem segredos
difíceis de decifrar.
AZEVEDO, Ricardo. Dezenove poemas desengonçados. São Paulo, Ática, 1998.

Varal de Poesia

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Exposição (em varal) de trabalhos relacionados ao folclore. Podemos definir o folclore como um conjunto de mitos e lendas que as pessoas passam de geração para geração. Muitos nascem da pura imaginação das pessoas, principalmente dos moradores das regiões do interior do Brasil. Muitas destas histórias foram criadas para passar mensagens importantes ou apenas para assustar as pessoas.

Entrada franca
Classificação Livre
Biblioteca Monteiro Lobato
Segunda a sexta-feira, das 9h às 17h30, sábados das 9h às 13h30min

Poesia às segundas-feiras

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MAIAKOVSKI, Vladmir. Maiakovski: poemas. Tradução de Boris Schnaiderman, Augusto e Haroldo de Campos. 8. ed. São Paulo, Perspectiva, 2011. p. 123 (Signos)

Incompreensível para as massas
Entre escritor e leitor posta-se o intermediário,
e o gosto intermediário e bastante intermédio.
Medíocre mesnada de medianeiros médios
pulula na crítica e nos hebdomadários.
Aonde galopando chega te pensamento,
um deles considera tudo sonolento.
— Sou homem de outra têmpera! Perdão,
lembra-me agora um verso de Nadson...
O operário não tolera linhas breves.
(E com tal mediador ainda se entende Assieiev!)
Sinais de pontuação? São marcas de nascença!
O senhor corta os versos toma muitas licenças.
Továrich Maiakovski, por que não lhe escreve iambos?
Vinte copeques por linha eu lhe garanto, a mais.
E narra não sei quantas lendas medievais,
e fala quatro horas longas como anos.
O mestre lamentável repete um só refrão:
— Camponês e operário não o compreenderão.
O peso da consciência pulveriza o autor.
Mas vo…

Cinema com Audiodescrição

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A equipe do Projeto Clarear (com locução de Valter Carvalho e Araçari Teixeira e apoio de Eliana Boaventura) promove a exibição com audiodescrição do filme O bicho vai pegar. Boog (Martin Lawrence) é um urso pardo domesticado, que vive na pacata cidade de Timberline. Ele é a grande estrela dos shows ecológicos de sua cidade, sendo que à noite desfruta das acomodações da garagem de Beth (Debra Messing), uma guarda florestal que o criou desde que era filhote. Porém nem todos gostam de Boog. Shaw (Gary Sinise) é um deles, pois acredita que os animais estão conspirando contra os humanos. Em uma de suas caçadas ele traz à cidade Elliot (Ashton Kutcher), um cervo de um único chifre que ainda está vivo. Após vários pedidos, Boog decide ajudá-lo e solta Elliot. Querendo retribuir o favor, Elliot segue Boog até sua casa e decide libertá-lo de sua garagem, a qual considera como sendo seu cativeiro.

21 de julho de 2012, 15h
Biblioteca Monteiro Lobato
Rua João Gonçalves, 439 Centro, Guarulhos
Cl…

Poesia às segundas-feiras

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Minha professora me emprestou um livro do Todorov
Todorov escreveu que a linguagem poética pertence a pré-história.
Pensei que a conversa que ouvira, um dia das rãs com as pedras e das pedras com as águas
Havia de ser linguagem pré-histórica e até quase poética
Faltasse talvez apenas a harmonia das palavras.
BARROS, Manoel de. Menino do mato. São Paulo, Leya, 2010. p. 83

Informação pública e as bibliotecas

O papel da biblioteca não deve ser só emprestar livros, ainda mais com a internet. Ela pode servir ao cidadão promovendo a Lei de Acesso à Informação.

"É letra morta?", perguntou-se depois que a Lei de Acesso à Informação entrou em vigor.

A expressão vai das resistências dadas pelo mandonismo político que embaralha o público com o privado à exequibilidade da lei por falta de ferramentas adequadas.

O papel da biblioteca não deve ser só emprestar livros

Se houver o desejo de saber, como proceder para ter a resposta?

Prestar informação é difícil quando não existe a infraestrutura necessária para isso, como não é possível escoar a produção agrícola sem boas estradas.

Esse déficit de meios para informar não poderá ser resolvido em curto prazo, principalmente porque informação pode ser percebida como menos necessária que o feijão.

Os administradores quantificam os prejuízos pela falta de boas estradas. Raramente fazem isso quando se trata do valor da informação. Quanto vale uma bib…

Poesia às segundas-feiras

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Somos todos catadores

Para a Dulcineia Catadora

Estou sempre lendo. Leio os livros, leio as ruas,
leio os edifícios, leio as pessoas pela cidade...
(Henry Miller, Trópico de Capricórnio)
Desde os primórdios
Nas cavernas; tintas de flores
Para demarcar a escrita cuneiforme, ou para esboços de rústicos desenhos de mamutes e bisontes entre flechas e fulgores.

Somos todos catadores
Nômades, peregrinos; andarilhos
Ou sedentários – seres filhos
De antigos catadores ancestrais
Do extrativismo de subsistência, mais
Até os navegadores que compartilham o que catam no facebook da internet

Somos todos catadores
Ciganos, urbanos, paisanos, humanos, insanos
Destruindo, nas catações extrativistas
Recriando nas catações urbanas; processando
Preservando, reciclando...

Somos todos catadores
No twitter catamos as pérolas que multiplicamos
No orkut catamos scraps que disseminamos
Nas infovias, como catadores com cincerros de última geração
Viçamos em consumos predatórios com grife...

Somos todos catador…

Jorge de Lima, panfletário do caos

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Jorge de Lima, panfletário do caos  Foi no dia 31 de dezembro de 1961 que te compreendi Jorge de Lima enquanto eu caminhava pelas praças agitadas pela melancolia presente na minha memória devorada pelo azul eu soube decifrar os teus jogos noturnos indisfarçável entre as flores uníssonos em tua cabeça de prata e plantas ampliadas como teus olhos crescem na paisagem  Jorge de Lima e como tua boca  palpita nos bulevares oxidados pela névoa na contemplação inconsútil de tua túnica estranhas tatuagens no ventre se despedaçam contra os ninhos da Eternidade e invoco grande alucinado  querido e estranho professor do caos sabendo que teu nome deve  estar como um talismã nos lábios de todos os meninos.
PIVA, Roberto. Um estrangeiro na legião. São Paulo, Globo, 2005, p.51 (Obras reunidas, v.1)