Projeto Poesia às 2as.feiras

Imagem
GULLAR, Ferreira. Glauber morto. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.351

O morto não está de sobrecasaca
não está de casaca
não está de gravata.

O morto está morto

não está barbeado
não está penteado
não tem flor na lapela
um flor 
na calça
sapatos de verniz

não finge de vivo
não vai tomar posse 
na Academia.

O morto está morto
em cima da cama
no quarto vazio.

Como já não come
como já não morre
enfermeiras e médicos
não se ocupam mais dele.

Cruzaram-lhe as mãos
ataram-lhe os pés.

Só falta embrulhá-lo
e jogá-lo fora.



Varal de poesia

Glauco Mattoso. Foto: Elson Fróes
Varal de Poesia – Glauco Mattoso
2 a 31 de maio de 2012, das 8h às 17h
Biblioteca Paulo do Carmo Dias
Praça Cícero Miranda, 74, Lago dos Patos, Vila Galvão

Exposição das principais obras e sinopse biográfica de Glauco Mattoso, poeta, ficcionista, cronista e colunista em diversas mídias. Pseudônimo de Pedro José Ferreira da Silva (paulistano de 1951), o nome artístico trocadilho com “glaucomatoso” (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995), além de aludir a Gregório de Mattos, de quem é herdeiro na sátira política e na critica de costumes.
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