Projeto Poesia às 2as.feiras

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GULLAR, Ferreira. Glauber morto. IN: Toda poesia (1950-1999). 10ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2001. p.351

O morto não está de sobrecasaca
não está de casaca
não está de gravata.

O morto está morto

não está barbeado
não está penteado
não tem flor na lapela
um flor 
na calça
sapatos de verniz

não finge de vivo
não vai tomar posse 
na Academia.

O morto está morto
em cima da cama
no quarto vazio.

Como já não come
como já não morre
enfermeiras e médicos
não se ocupam mais dele.

Cruzaram-lhe as mãos
ataram-lhe os pés.

Só falta embrulhá-lo
e jogá-lo fora.



Uma poema escrito por ocasião da Proclamação da República


Uma saudação de Natal [1]
(De uma constelação de amigos do Norte para uma constelação de amigos do Sul, 1889-1990)


Bem-vindo, irmão brasileiro – teu amplo lugar está pronto!
Uma afetuosa mão – um sorriso do norte – uma instantânea saudação solar!
Deixa que o futuro cuide de si mesmo, no lugar em que revela seus tormentos e impedimentos,
Nossas, nossas as vascas do presente, a meta democrática, a aceitação e a fé;
Para ti, hoje, o nosso braço estendido, a nossa cabeça voltada – de nós para ti, os olhos cheios de expectação,
Tu, agrupamento livre! Tu, brilhante e lustroso! Tu aprendendo bem,
A luz do verdadeiro ensinamento de uma nação estampada no céu
(Mais brilhante que a Cruz, mais do que a Coroa)
A elevação que há de vir da soberba humanidade.

[1] WHITMAN, Walt. Folhas da relva. São Paulo, Martin Claret, 2005. p.519. (A obra-prima de cada autor)


P
W593f
WHITMAN, Walt
Folhas da relva. São Paulo, Martin Claret, 2005. 575p. (A obra-prima de cada autor)
Nesta obra, aprimorada por quase quatro décadas, o autor introduziu o verso livre e o tratamento poético das coisas cotidianas, dos progressos técnicos e da vida nas cidades. O autor é considerado o grande cantor da democracia estadunidense.

P
M95p
MATTOSO, Glauco
Poética na política: cem sonetos panfletários
São Paulo, Geração, 2004. 111p.
O soneto, forma clássica eternizada por Camões e Shakespeare, não é mais utilizada pelos poetas modernos, mas é com ele que o autor ataca (e como ataca!) a trágica mediocridade da política brasileira, sem deixar pedra sobre pedra.

C
G613s
GOMES, Dias
Sucupira: ame-a ou deixe-a
São Paulo, Círculo do Livro, 1982.170p.
Esta obra reúne sete episódios da série “O Bem-Amado” e traz personagens famosas em todo o país, como o Prefeito Odorico Paraguaçu, o Capitão Zeca Diabo, as irmãs Cajazeira, a Delegada Chica Bandeira, etc. Um microcosmo satírico do Brasil.

CR
J12p
JABOR, Arnaldo
Pornopolítica: paixões e taras na vida brasileira
Rio de Janeiro, Objetiva, 2006. 231p.
O autor é um tipo de jornalista que opina, que associa fato a ficção, procurando sínteses originais para entender os absurdos da realidade social. Assim, comenta política e costumes, artes e sexualidade.

CR
V619v
VERÍSSIMO, Luís Fernando
A versão dos afogados: novas comédias da vida pública
Porto Alegre, L&PM, 1997, 363p.
Este é um livro sobre o Brasil real. Nele o autor constrói o painel dos nossos dias. A análise precisa dos fatos, o humor, o ceticismo e a generosidade se combinam ao abordar o cotidiano de um país cujos contornos imprecisos revelam contradições e uma normalidade crivada de excepcionalidades.

F
B263t
BARRETO, Lima
Triste fim de Policarpo Quaresma
São Paulo, Klick, 1999. 192p. (Vestibular Estadão)
Publicado em folhetim em 1911 e em livro em 1915, esta obra narra a vida de um modesto funcionário público, em três estágios diferentes que correspondem, mais ou menos, às três partes em que se divide a obra. A primeira relata sua vida como funcionário público, a segunda, como proprietário rural, a terceira, como soldado voluntário na Revolda da Armada, de 1893.

F
L778p
LOBATO, Monteiro
O presidente negro
São Paulo, Globo, 2008. 202p.
Ambientado nos Estados Unidos, o país de Henry Ford que o autor tanto admirava, esta obra surpreende pelo caráter polêmico do futuro por ele imaginado. Através do porviroscópio, ficamos sabendo que em anos vindouros ocorrerá o c hoque provocado pela vitória, nas urnas, de um candidato que apenas metade da população norte-americana irá absorver.

F
M836b
MOREIRA, Pedro Rogério
Bela noite para voar: um folhetim estrelado por JK
Rio de Janeiro, Relume Dumará, 2006. 196p.
Neste romance, o narrador é o jornalista que descobre no diário de um menino dos anos 50 o fascínio que JK exercia pelo seu sorriso e pela sua vontade de voar. Mesmo sem entender o que acontecia a sua volta, mas de tanto ouvir as histórias dos aviadores que queriam derrubar JK, o menino imaginava o presidente em perigo nos céus do Brasil.

030
P95p
MAAR, Wolfgang Leo; MAGNOLLI, Demétrio; LEBRUN, Gerard
O que é política; o que é geopolítica; o que é poder
São Paulo, Círculo do Livro, sdp, 198p. (Primeiros passos, 8)
A política surge com a própria história, com o dinamismo de uma realidade em constante transformação que se revela insuficiente e insatisfatória e que não é fruto do acaso, mas resulta da atividade dos próprios homens vivendo em sociedade. Entre o voto nas urnas e a força das armas está uma gama variada de formas de ação que visa resolver conflitos de interesses, configurando assim a sua atividade política em sua questão fundamental: a relação com o poder.

030
P95p
DALLARI, Dalmo de Abreu
O que é participação política
São Paulo, Brasiliense, 1984. 99p. (Primeiros passos, 104)
Todos os indivíduos têm o direito e o dever de participar da vida social, procurando influenciar as decisões de interesse comum. Se ficarmos passivos, delegando as resoluções aos outros, um pequeno grupo, mais atuante e audacioso, acabará dominando. Participação política: um instrumento fundamental para a construção de uma nova sociedade, mais humana.

32
M255p
MAQUIAVEL, Nicolau
O príncipe
13ª.ed., Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1996, 156p.
Esta obra, escrita em 1513, expressa pela primeira vez a noção de Estado como forma de organização da sociedade do modo como a conhecemos hoje. É sobretudo por isso que seu autor é considerado o pai da moderna Ciência Política.

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